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Levantes textuais
projeto cultural, unirio 2025-2026
Textos entre o ensaio e a ficção a partir de imagens extraídas do livro-catálogo Levantes, de Georges Didi-Huberman.


Texto da leitura dramatizada de 'Valão'
Afundado no valão que atravessa o bairro encontro o corpo do tio. Desfigurado. A pedra presa às costas poderia servir para preencher o buraco de uma das paredes da quitinete onde vivo com mamãe. Naquele espaço existe apenas um vão de ventilação colado ao teto. Será que a pedra que o amarra serviria para tapar o buraco que mamãe cavou numa das paredes daquela quitinete? Talvez não deixasse usar com esse propósito, mesmo os cômodos sendo de paredes sem janelas. Aos 21 anos va
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28 de dez. de 20258 min de leitura


por Daniel Almeida
Era uma tarde fresca de outono, um dia de feriado em maio no Rio de Janeiro e Fernando passeava de bike pela orla da praia do Aterro do Flamengo. O céu azul, limpo e típico dessa época do ano, com poucas nuvens, dava uma coloração especial à superfície da água, ao verde das árvores e da grama e à superfície rochosa do Pão de Açúcar. Ele estava voltando para casa, retornando de uma pedalada ao Centro, quando, então, resolveu parar e descansar um pouco sob a sombra de uma árvor
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23 de dez. de 20254 min de leitura


Bandeira Preta, por Gabi Venina
Carregava a bandeira como quem carrega um cadáver. Não era paz — nunca fora. Era o pano que cobria os mortos que ainda respiravam, os que marchavam sem nome, os que o vento apagava antes mesmo de caírem. A arma ao seu lado era adorno — o verdadeiro fogo estava no punho que erguia o mastro, na garganta que rasgava o silêncio. Diziam que o preto era luto. Ela dizia: é a cor do que ainda não acabou. Os piratas sabiam: bandeira preta é recusa, é guerra sem trégua. Não queria ser
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23 de dez. de 20252 min de leitura
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